Juro que queimei uma boa meia-dúzia de neurônios pensando em falar alguma coisa sobre o Carnaval – que eu passei prostrada sobre coisas macias alternadas: minha cama, meu sofá, almofadões coloridos, com o dedo tendo carta branca para se mexer pelo controle remoto. Numa dessas mexidas do dedo (mão direita, apolítica, destra de nascença) entre torpores – o tempora, o torpores – vi uma gostosona, madrinha de bateria de escola vencedora, declarar: “Importante foi o trabalho da comunidade”.
A-hã. Mas então: eu não digo nada sobre Carnaval porque nunca dei adeus à carne, ou às carnes, e aí se incluem todas. Comigo é sexo e bife permanentemente; nada contra adeuses alheios, que é isso?, mas mas mas… já nem sei do que estou falando.
Ah, bem: vi um Woody Allen, que casa bem com meu pobre momismo. Small time crooks, Woody Allen de terceira – bons diálogos, mas tudo muito, como direi?, formato TV – e ainda assim melhor do que quase tudo o que anda por aí.
E li, desorganizada, descriteriosa, A assustadora história da medicina, Richard Gordon, mal traduzido pela senhora Aulyde Soares Rodrigue. O cara é engraçado, tem a fobia dos católicos contra Freud (não sei se ele é católico), e me deixou a convicção de que só serei operada por tumor ou apendicite, se mantiver a graça da escolha consciente.
Isto até agora, caros.
Sim, também não fui trabalhar. Trabalhar é brega.

