Não sei você, mas eu quase sempre consigo dizer, só pela maneira como escreve, se um sujeito não toma banho. Há um cheiro ardido de suor e de morrinha que pega no texto e não sai mais. Camus, por exemplo: leia O estrangeiro e tente perceber os miasmas bucais. Ou Marcelo Mirisola, cujos colarinhos provavelmente vivem úmidos. Ou Beckett – sim, Beckett – que cheirava a Hipoglós. Ou Plínio Marcos, que cheirava a marmitex e laranja descascada.
Isso vale para mulheres também. Tenho certeza de que a Fernanda Young não depila as partes. E que as pontas dos seus dedos têm cheiro de mamão.
O autor que mais me cheira mal, no sentido aqui tratado, é Flaubert em Salambô. Odor, odor, mon chou.