Arquivo para Fevereiro 11th, 2007

11
Fev
07

Ô dia que não acaba

Futebol para mim é como aquário. Parece que tem gente que fica olhando aquário, admirando aquário, vendo os peixes para lá, para cá… as bolhinhas, o escafandrista miniatura… Eu, se tivesse aquário, só saberia que meus peixes morreram quando começasse a feder. Aquário é como Carlos Drummond de Andrade, um tédio só. Acho que doravante vou chamar o Drummond de aquário. É isso.

Pois o futebol para mim é a mesma coisa. Mas agora mesmo, passando entediada os canais, vejo Rogério Ceni, goleiro do São Paulo, falando sem gaguejar a palavra “subterfúgio”. Sem gaguejar e parecendo saber o que quer dizer. Subterfúgio, imaginem. Aposto que também não erra “helicóptero” nem “panegírico”. Craque é craque. Né?

E ainda falam mal dos resultados do Enem. Pena que o cara é careca e narigudo. Careca e narigudo, só para efeito de subsistência.

11
Fev
07

Só mais este

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Boris Artzybasheff. Aqui.

11
Fev
07

Domingo de chuva

O rosal misterioso.

Um achado. Meu diretório favorito é este.

11
Fev
07

Petrus Christus

Madona na árvore seca.

Aqui. Vai lá, que é muito bom.

11
Fev
07

Às minhas amiguinhas que lêem poesia

Deixa eu explicar uma coisa. Eu sei que Drummond é grande, é imenso, é enorme. Eu, como todas as mocinhas – todas, todas, todas – abro a esmo a “Antologia poética” e arregalo os olhos quando leio “ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode caminham numa estrada de pó e esperança”. Claro que eu fico boquiaberta. Claro que eu acho que é profundo, enigmático, anti-retórico, prenhe do sentimento do mundo e tudo o mais. Claro que eu me abismo toda.

Mas, à medida que vou percorrendo o livro e me boquiabrindo mais, e boiando feliz nessa profundidade aí, e me interessando pelos enigmas – “Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?” – mesmo achando que uma dessas duas vírgulas podia sair… Oh, à medida que vou em frente, alguma coisa acontece, alguma coisa que eu não sei direito o que é – profunda, enigmática, anti-retórica – e eu durmo.

É isso, meninas. Drummond é grande, é imenso, é enorme, e me mata de tédio e de sono. Leio sobre “o tardo e rubro alexandrino decomposto” e balanço a cabeça fazendo “hum-hum”, aparentemente concordando mas na verdade engolindo um bocejo; sorrio com olhos vesgos (tenho que ler três vezes para entender) da “Eternalidade eternite eternaltivamente eternuávamos eternissíssimo”, fazendo cara de bêbada, e antes de chegar aos “oceanos de nada” eu é que já estou no Atlântico de Morfeu. Bem no fundo, onde é escuro e os ecos do sentimento do mundo, graças a Deus, não chegam.

Tudo bem, meninas: não liguem para mim. Continuem, continuem; eu vou ali ler Eliot e já volto. Kiss-kiss, have a simply super day.