11
Fev
07

Às minhas amiguinhas que lêem poesia

Deixa eu explicar uma coisa. Eu sei que Drummond é grande, é imenso, é enorme. Eu, como todas as mocinhas – todas, todas, todas – abro a esmo a “Antologia poética” e arregalo os olhos quando leio “ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode caminham numa estrada de pó e esperança”. Claro que eu fico boquiaberta. Claro que eu acho que é profundo, enigmático, anti-retórico, prenhe do sentimento do mundo e tudo o mais. Claro que eu me abismo toda.

Mas, à medida que vou percorrendo o livro e me boquiabrindo mais, e boiando feliz nessa profundidade aí, e me interessando pelos enigmas – “Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?” – mesmo achando que uma dessas duas vírgulas podia sair… Oh, à medida que vou em frente, alguma coisa acontece, alguma coisa que eu não sei direito o que é – profunda, enigmática, anti-retórica – e eu durmo.

É isso, meninas. Drummond é grande, é imenso, é enorme, e me mata de tédio e de sono. Leio sobre “o tardo e rubro alexandrino decomposto” e balanço a cabeça fazendo “hum-hum”, aparentemente concordando mas na verdade engolindo um bocejo; sorrio com olhos vesgos (tenho que ler três vezes para entender) da “Eternalidade eternite eternaltivamente eternuávamos eternissíssimo”, fazendo cara de bêbada, e antes de chegar aos “oceanos de nada” eu é que já estou no Atlântico de Morfeu. Bem no fundo, onde é escuro e os ecos do sentimento do mundo, graças a Deus, não chegam.

Tudo bem, meninas: não liguem para mim. Continuem, continuem; eu vou ali ler Eliot e já volto. Kiss-kiss, have a simply super day.


6 Respostas para “Às minhas amiguinhas que lêem poesia”


  1. Fevereiro 11, 2007 às 2:23 pm

    Às minhas amigas maiores de 15 anos que lêem poesia, a minha piedade. Aprende-se com poesia tanto quanto aprende-se com a Arte no Ônibus. Poesia é coisa para impressionar namorados. Ao poeta ela vale como doce passa-tempo – e conveniente, diga-se, por dispensar qualquer sentido e verossimilhança. Em poesia tudo é oculto, sublimado, entrelinhado. Francamente.

    E ah, de onde você saiu, huh?

  2. Fevereiro 11, 2007 às 9:38 pm

    Oh, Edson, não escapo da minha condição de menina que quer namorar, e os passatempos, doces e salgados, são bem vindos. Você tá muito Mencken, hein? Tá certo que o aquário drummond é chato, mas outros, muitos outros se salvam. Tô com preguiça de citar um agora, não pegue no meu pé. Mas que tem, tem. Eu? Oh, eu estou por aí.

  3. Abril 30, 2008 às 8:54 pm

    Se Drummond é tão grande assim, como ainda não foi contratado pela “Brasileirinhas”?

  4. Junho 22, 2008 às 6:01 am

    li drummond pra caraca…principalmente poesia…detestei as crônicas do meu xará carlos…algumas crônicas pelo menos…mas confesso em um dos meus humildes poemas(faces drummond)o quanto ele(o poeta maior) é realmente maior…mas há outros também maiores…dentre eles:joão cabral de melo neto…peço desculpas drummond in memoriam!


Deixe um comentário