Juro que queimei uma boa meia-dúzia de neurônios pensando em falar alguma coisa sobre o Carnaval – que eu passei prostrada sobre coisas macias alternadas: minha cama, meu sofá, almofadões coloridos, com o dedo tendo carta branca para se mexer pelo controle remoto. Numa dessas mexidas do dedo (mão direita, apolítica, destra de nascença) entre torpores – o tempora, o torpores – vi uma gostosona, madrinha de bateria de escola vencedora, declarar: “Importante foi o trabalho da comunidade”.
A-hã. Mas então: eu não digo nada sobre Carnaval porque nunca dei adeus à carne, ou às carnes, e aí se incluem todas. Comigo é sexo e bife permanentemente; nada contra adeuses alheios, que é isso?, mas mas mas… já nem sei do que estou falando.
Ah, bem: vi um Woody Allen, que casa bem com meu pobre momismo. Small time crooks, Woody Allen de terceira – bons diálogos, mas tudo muito, como direi?, formato TV – e ainda assim melhor do que quase tudo o que anda por aí.
E li, desorganizada, descriteriosa, A assustadora história da medicina, Richard Gordon, mal traduzido pela senhora Aulyde Soares Rodrigue. O cara é engraçado, tem a fobia dos católicos contra Freud (não sei se ele é católico), e me deixou a convicção de que só serei operada por tumor ou apendicite, se mantiver a graça da escolha consciente.
Isto até agora, caros.
Sim, também não fui trabalhar. Trabalhar é brega.
Aqui na California, longe dos expat de Miami, tampouco curti carnaval, só carne tipo A e tipo B.
Agora estou ouriçadíssima para ver a entrega dos Oscars©, um ritual da minha família desde sempre.
Caranaval? Que isso?
Viu? (Caranaval invés de Carnaval) até escrevi errado, tamanha a distância dessa festa mundana que eu adoro. Assim como bifes e tudo mais.
Estou ainda hoje meio surdo de tanto rock’n'roll em alto e bom som que ouvi durante os dias idiotas para abafar a desgraça que é o carnaval.
E também acho que trabalhar é muito, muito brega.
Abraço.
eu aprendi a baixar séries e vi um monte.
aconselho “the office”, versão americana. os puristas cabeçudos podem dizer que a versão inglesa é melhor, mas dessa vez não é, tanto que por lá acabou na segunda temporada, enquanto nos eua continua firme e forte e já na terceira.
como diz um amigo meu, “o trabalho é uma violência contra o homem”.
Carnaval, quem me dera…