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Mar
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Stallone no Marabá

Como vocês não sabem, tenho dois part-time husbands, dois maridos de meio-expediente. Os dois se conhecem e se dão bem, não há brigas por precedência e a vida é tranqüila. Quando acontece o ménage (stricto sensu), costuma ser uma maravilha.

A família, quinta-feira última, foi unida, no suspeitíssimo horário das 18, ao Marabá ver Rocky VI.

Digressão nº 1: as 18, em dia de semana, é horário suspeito segundo meu pai, grande autoridade em assuntos de suspeição (teoria e prática). E de fato: além da família, os outros nove gatos e gatas pingados que lá estavam não tinham ar nem trajes de companhia recomendável.

Digressão nº 2: cinema não é arte. Vou ver Sylvester Stallone com as mesmas palpitações e expectativas com que iria ver, ahn… falem um chato “artístico” aí, vai… Bertolucci, digamos. Antes de vista a película, tenho os dois na mesmíssima conta (e, geralmente, depois de vista, fico achando Stallone mais legal).

Bem, lá estávamos os três, e o que eu queria mesmo dizer é que o Marabá está um lixo indescritível. Poltronas rasgadas e empoeiradas, chão com linóleo descolado e cheio de buracos, balcão fechado, som ruim, imagem ruim, cheiro de mofo. Aquele espelhão da frente está rachado, os vidros enormes da frente estão imundos, mon Dieu, que horror. Meu marido mais velho desfiava histórias de quando ia ali e sentava no balcão e tudo era limpinho; mau marido mais novo queria entrevistar o dono da sala. Eu? Eu me coçava. Tá assim de pulga.

Digressão nº 3, ou: puxa, o que é o fim-de-semana, não? Eu menina, caiu-me na cabeça um absurdo livro de contos da Senhora Leandro Dupré (ela fazia questão de que seu nome saísse assim, “Senhora Leandro Dupré”; possivelmente porque, quando solteira, o pai batia nela quando inventava de escrever – velho sensato). Num deles, um cidadão tinha que levar a cunhada roceira a ver um filme no Marabá, idos dos anos 50. Metade do conto era gasto com a excitação e a toilette da jequinha. Ir ao Marabá era chique, as pessoas se arrumavam, vejam vocês. Pois, minha cara Senhora Leandro Dupré, danou-se tudo. Mantenha seu ectoplasma longe do lugar.

O filme? Ruim, ruim. Nem aqueles conselhos e dicas Sylvester de bem viver (”pare de beber coca-cola, beba leite”, ou “ande com gente boa”) ele solta mais. As porradas que ele dá no negão são muito fingidas, as que ele leva idem. Filadélfia, mesmo no inverno, é feia demais. E nem o pulguento convence. Não vale a aventura e nem o aluguel posterior.

Já a ida ao Marabá, na base do espírito de aventura, pode rolar. Agora está lá o Motoqueiro Fantasma. Lixo por lixo…


4 Respostas para “Stallone no Marabá”


  1. Março 5, 2007 às 2:16 am

    Ora, salve! Até eu, carioquísssima, ouvi falar do Marabá. É pena que SP seja tão grande que não tenha condição de conservar suas velhices arquitetônicas. Gostava de passear no centrão; dizem que está horrível.

    Não gosto nem do Stalone nem do Bertolucci, exceto Último Tango, que é um filmaço para maiores de quarenta por sua temática psi.

  2. 2 gustavodrums
    Abril 24, 2007 às 7:29 pm

    Oi Silvia,

    Que bom que você linka para meu blog http://www.nao2nao1.com.br

    Muito bom seu blog tb!

    Beijo,

    Gustavo

  3. Abril 29, 2007 às 11:57 pm

    Tina Harris, Stallone e Alexandre Frota têm seu quê de indefinível, além de meros músculos e dinheiro.

  4. Maio 9, 2007 às 3:28 am

    Fui chegando e gostei do blog, do texto e da persona.


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