26
Abr
08

O que se vira na virada?

Não vai haver filósofos na virada cultural. Imaginem, as pessoas virando e um sujeito fedido, caspento, dentes amarelos e mau-hálito puxando você pela manga para falar da fenomenologia do espírito, ou, se afrancesado, sobre multi-refrações no espaço-tempo não euclidiano do capitalismo. Sem saída, você dá-lhe um safanão, só para ouvi-lo sair gritando: “Filosofia é cultura, hein!”. Não vira.

Até porque filosofia, literatura, música sossegada não é cultura. Cultura, todo mundo sabe, é mexer a bundinha pretextando profundidades. (Mexer a bundinha no raso, como eu mexo, é mera putaria.) De sorte que a virada tem muito samba, muito Robert Smith, ups, Gal Costa, muito filme chato, muita conversinha, muita chupada no carro, muita camisinha usada, muita gente andando para lá e para cá se sentindo no próprio tobogã das musas. E mexendo a bundinha.

Meus maridos não me deixam ser culta: não me dão dinheiro nem as chaves dos carros, e não me deixam mexer a bundinha em público. O máximo que eu arranco deles são edições duas semanas atrasadas da Veja. Virada, dizem eles, é só lá em casa.

* * *

O blogue do Martelada me leu e me gostou (com modos). De lá veio mais gente que idem, e me assustei. Não estou acostumada a ter muita gente concordando comigo; nem eu mesma concordo muito. Enfim. Meu daimónion, que batizei de Jodinélson Júnior, diz que eu devia aproveitar a chance e passar o chapéu; quando lhe perguntei cadê a dignidade, ele respondeu: ficou com o padre. Lê jornais, o Jodi Jr.


15 Respostas para “O que se vira na virada?”


  1. Abril 26, 2008 às 3:51 am

    Apesar dos amigos meus que aparecem no seu blogroll, cheguei aqui também pelo Martelada, e já assinei o feed! :-)

  2. 2 c. dubreau
    Abril 26, 2008 às 2:12 pm

    a verdade é que o trasel costuma acertar (além de ser um queridão que escreve ótimas resenhas gastronômicas), por isso a confiança. e foi devida, devida. vos digo ‘massa!’ porque é o que aprendi a falar aqui em porto alegre, e não sou bom em tecer elogios prolongados.

  3. Abril 26, 2008 às 2:21 pm

    Eu sou formada e adoro filosofia, o que pode significar que até gosto um pouco do assunto, mas a Fenomenologia do Espírito (sobre a qual fiz minha dissertação de mestrado) NÃO ERAS. Na boa, depois de ler essa coisa umas 457 vezes, cheguei à conclusão de que Schopenhauer estava certo. Se tiver que escolher, fico com a bundinha…

  4. Abril 28, 2008 às 5:47 pm

    eu também. assinandinho.

  5. Abril 28, 2008 às 6:31 pm

    Também cheguei pelo Martelada e adorei. Não é nem uma questão de concordar com as tuas idéias, mas é que ele é muito sarcasticamente bem escrito. :-)
    Abraço

  6. 8 ed
    Abril 28, 2008 às 10:56 pm

    quanta gente nova, moça.

    e a sua mexida de bundinha no raso é algo encantador ou o quê?

  7. Abril 29, 2008 às 6:24 am

    Puxa, Sylvia, você me deixa sem graça. detonei você do meu blogroll e estou aqui de bob.
    Não suporto o tal do “corte epistemológico” a tal da “hermenenêutica.” Siga blogando e voltarei mais amiúde.

  8. 10 bruno
    Abril 30, 2008 às 5:05 am

    participei da virada por 20 min. depois de muito “créu” resolvi sair fugido antes de tomar uma facada ou algo que o valha. frescura minha, parece que não morreu ninguém. xá pra lá, tava com sono mesmo. dormi divinamente. até aproximadamente 13hrs, quando algum filho da puta começou a cantar cazuza perto da minha casa.
    vá se foder, kassab.

  9. Abril 30, 2008 às 5:48 pm

    Diga pra JodiJr que também gostei.

  10. Maio 1, 2008 às 1:26 am

    Também quero a bundinha. Mas não largo minha faculdade de filosofia, nem meus livros, nem meus dentes amarelos por nada que supostamente possa me deixar mais feliz. Quero é morrer triste, chateado, frustrado por não saber coisa alguma, mas não entrego o as pernas pros cães morderem!

    ps. O trasel acertou no blog. Mas, como utilitarista, entregou as fichas pros macacos do George Lucas! Abç, espero vizitas: http://www.oblogdocapeta.blogspot.com

  11. Maio 1, 2008 às 1:58 am

    Gente, vocês estão me obrigando a trabalhar, o que definitivamente não é do meu feitio. Mas vamos lá: feed, Doni? I don’t. Cá em SP, dubreau, também se diz massa, mas se come mais do que se diz. Na mosca, Melissa, eu não era a fenomenologia do espírito. Träsel, Batista e Tiagão: obrigadinha. Ed Lain: behave, mocinho. Tina Harris, siga voltando e blogarei amiúde. Admiro sua resistência, Bruno. Jodi Jr. é um daimónion malcriado, Carol – eu agradeço por ele. Vizitarei, Maciel. Ufa.

  12. Maio 2, 2008 às 9:52 pm

    Também estou aqui por indicação do Martelada.Fiquei curioso e resolvi conferir. Realmente ele tem razão. Você merece uma coluna. Agora quando todo mundo concorda com alguma coisa,é porque há alguma coisa errada.Ninguém é dono da verdade. Nietzsche já afirmava que: “As convicções são inimigas da verdade, mais perigosas que a mentira”.

  13. Maio 3, 2008 às 4:44 am

    Se alguém for visitar Leipzig na Alemanha de uma passadinha no “O Porão de Auerbach”, restaurante imortalizado por Goethe na sua obra “Fausto”.Para maiores informações visitem a página:http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2740094,00.html


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