Arquivo para Maio, 2008

11
Mai
08

Raridade (e uma vindicação da futilidade, em dois tempos)

E não é que apareceu um template bacaninha? Quem diria. Mudei correndo.

* * *

Eu ia escrever um texto explicando por que a futilidade é 1) irrespondível, e 2) muito humilde. Ia, mas meus maridos não me sustentam para que eu quebre as unhas digitando coisas enormes e, pior, meio filosóficas. De modo que vou ser rápida.

A futilidade é irrespondível porque é deliciosamente arbitrária. Digamos, por exemplo, que você tenha o mau gosto e a falta de tato de me convidar para ver um filme do Almodóvar, e eu, que no fundo até vou com a sua cara mas estou morrendo de preguiça de lhe explicar tudo o que Almodóvar tem de medíocre, canalha e filisteu, digo que não vou, porque não assisto filmes de diretores espanhóis feios e cheios de frieiras. Eu nem sei se ele tem mesmo um monte de frieiras, mas daquela cara se espera tudo, então pronto, digo isso mesmo: cheio de frieiras.

O que você pode responder? Que ele não é feio, nem tem frieiras? Mas ele é feio, e você também não sabe se ele tem frieiras ou não (e nem tem coragem de dizer que não, ele não tem frieira nenhuma). Que não há relação comprovada entre espanholidade, feiúra, frieiras e mau cinema? Mas eu acho que há. Na verdade nem acho: sei que há. E sei porque sei. Você não tem resposta, e eu sinceramente nem preciso me justificar: não preciso ter nenhum motivo racional ou válido para sustentar a minha idéia geral dos diretores espanhóis, feios e cheios de frieiras. Acho isso porque acho, e ponto final. Vá ao cinema sozinho.

E a futilidade é muito humilde porque ela faz com que qualquer um se sinta melhor do que o fútil. O fútil se expõe às pedradas da indignação, do mesmo modo como um santo se expõe a levar pedrada e ser massacrado, baleado e torturado por incréus. Diante da futilidade, qualquer motivo, mesmo um bem idiota, parece excelso, invulgar, grandioso. De novo ao Almodóvar: é tão idiota não gostar dele porque é feio e cheio de frieiras que uma razão igualmente estúpida para gostar dele – digamos, a de que ele “resgata a marca do feminino” – passa imediatamente a parecer profunda, pensada, genial. Em comparação com o fútil, qualquer palhaço pomposo e metido se torna digno de atenção, e consegue diafarçar nessa grandiloqüência a sua própria futilidade. Porque gostar do resgate da marca do feminino, convenhamos, é gostar de quê afinal? É preciso muita humildade, muita abnegação da parte do fútil para legitimar tanto a banalidade geral.

Eu teria mais a dizer, mas o chocolate quente que eu fiz para enfrentar esses quinze graus vai acabar esfriando, e não tinha um poeta fumante e chato dizendo que não há mais metafísica que chocolates? Eu esquento o meu, e já sou grandinha, e com licença, fiquem bem, etc.

01
Mai
08

Itaipu?

Eu quero uma escrava paraguaia. Uma não, duas. Duas velhas, porque mocinhas e el embrujo de sus canciones, perto dos meus homens, jamais. A primeira velha eu porei na lida doméstica; a segunda, enfeitando a sala (quem sabe segurando uns charutos). A primeira chamarei de Carmela, porque tenho muita vontade de irritar meus vizinhos gritando “Ô Carméééééla!” o dia inteiro. A segunda chamarei de Ypacaraí, porque a quero plácida e silenciosa como uma lagoa.

Jodinélson Júnior adverte que não devo deixar dinheiro nas mãos delas. Nunca, nem um centavo. Diz o capetinha que a visão da grana desperta os anseios de liberdade.

01
Mai
08

A quick one

Se a arte de escrever bem lotasse estádios e vendesse discos, eu seria uma groupie do Lorde Ass. Bom, talvez não: há maridos, maridos. Mas teria uma foto dele como papel de parede aqui no Windows, digamos, e saberia a discografia de cor. Isto para dizer que a citação dele me desvanece e me amolece – e eu só não digo isto lá porque os wundercomments estão de folga.

No mais, queridos, vocês estão me pondo para trabalhar. O que é mau. Sou adepta da vagabundagem física: inspeção de tetos, gritos com empregadas, dormir até as duas, etc. Trabalhar é brega, faz mal à pele e dá sono.