Ler Mia Couto é como cuidar de leprosos. Quer dizer: muito admiro quem consiga, mal concebo quem goste. Eu, já se sabe, não consigo, não gosto nem suporto o cheiro. Me deram “Terra Sonâmbula”, que, descuidada, deixei sobre a mesa da cozinha: empesteou a casa toda, igual queijo ralado de marca vagabunda.
Archie Goodwin seria o homem para mim, se existisse. Homem tem que dançar bem e gostar de bife. E fumar, e beber uísque, e dirigir de fogo, e de vez em quando se pendurar em cordas sem que se entenda bem o porquê. E, claro, nos deixar convencidas de que nos daria uma surra, sem nunca dá-la de verdade. E escrever bem. Tudo o que Goodwin costuma fazer, exceto beber uísque.
Não é horrível que um escritor fictício seja mais homem e muito mais bacana que um escritor real?